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Careca do INSS tentou negociar medicamentos e insumos de saúde com o governo federal, aponta PF
Lobista investigado por fraudes em aposentadorias buscou vender cannabis medicinal, testes de dengue e produtos infantis ao Ministério da Saúde
Apontado pela Polícia Federal como um dos principais articuladores do esquema de fraudes no INSS, o lobista Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”, tentou comercializar medicamentos à base de cannabis, testes rápidos de dengue e produtos de nutrição infantil junto ao Ministério da Saúde.
De acordo com as investigações, o lobista participou de ao menos uma reunião no ministério, em janeiro de 2025. Apesar das tratativas, nenhuma das propostas avançou para a fase de compra por parte do governo. As suspeitas vieram à tona após a deflagração da Operação Sem Desconto, em abril de 2025, que apura desvios envolvendo benefícios previdenciários.
Mensagens obtidas pela Polícia Federal mostram que o Careca e seus funcionários discutiam estratégias para ampliar a atuação na área da saúde. O material está sob análise dos investigadores e indica que o Ministério da Saúde passou a ser considerado um novo foco de interesse do grupo.
Em decisão judicial, o ministro André Mendonça, relator do caso no STF, destacou que a pasta poderia ter se tornado uma nova frente de atuação da organização criminosa. Ele também determinou que a Anvisa apurasse possíveis irregularidades administrativas envolvendo servidores públicos.
Uma das linhas de investigação aponta que recursos desviados das aposentadorias teriam sido usados para estruturar empresas do lobista e tentar viabilizar contratos milionários no setor de saúde.
Entre essas empresas está a World Cannabis. Em dezembro de 2024, mensagens internas indicam que o grupo discutiu a elaboração de um termo de referência prevendo a compra de mais de 1 milhão de frascos de canabidiol pelo governo, por meio de dispensa de licitação. O documento teria sido preparado para ser apresentado ao ministério, mas a negociação não se concretizou.
Em nota, o Ministério da Saúde afirmou que não realiza compras de canabidiol e que o produto não faz parte da lista de medicamentos ofertados pelo SUS, reforçando que não há qualquer processo em andamento para aquisição ou distribuição do item.
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