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Denúncia

Modelo denuncia ameaças de morte após sofrer racismo por usar roupas de ancestralidade africana

Josi Albuquerque afirma que ataques se estenderam à filha de um ano; Polícia Civil investiga comentários racistas

Por Redação com G1 08/01/2026 10h10
Modelo denuncia ameaças de morte após sofrer racismo por usar roupas de ancestralidade africana

A modelo Josi Albuquerque denunciou estar sendo alvo de ameaças de morte nas redes sociais após a repercussão de um vídeo em que aparece usando roupas de ancestralidade africana em um shopping de Goiânia. Segundo ela, os ataques também atingiram sua filha, de apenas um ano, e incluem ofensas racistas, ameaças de estupro e mensagens violentas.

Em relato, Josi afirmou que procurou a delegacia e registrou um Boletim de Ocorrência para formalizar a denúncia. Ela disse que a situação provocou abalo emocional, ansiedade e tristeza, mas ressaltou que não pretende recuar diante das agressões. “Foi muito perturbador viver isso, ouvir insultos e ameaças desse tipo, mas vou continuar de cabeça erguida”, declarou.

De acordo com a modelo, as mensagens recebidas continham termos racistas e comparações ofensivas, além de propostas explícitas de violência. As ameaças passaram a circular após a publicação do vídeo, que mostrava mulheres negras circulando pelo shopping com trajes inspirados na cultura africana.

Josi explicou que todas as mulheres que aparecem nas imagens participaram do concurso Miss Afro, realizado na capital goiana. A ideia do passeio surgiu após o evento, com o objetivo de valorizar a cultura afro-brasileira e observar a reação do público diante das vestimentas tradicionais. Segundo ela, o grupo estava elegante e buscava apenas expressar identidade e beleza.

Mesmo após a onda de ataques, a modelo afirmou que ela e as demais participantes planejam gravar um novo vídeo, desta vez com mais pessoas. A intenção, segundo Josi, não é provocar confronto, mas reforçar a autoestima e incentivar outras mulheres a não se deixarem intimidar por manifestações de ódio.

Sobre o caso, o delegado Joaquim Adorno destacou que a liberdade de opinião é garantida pela Constituição, mas não pode ser usada para justificar ofensas e crimes. Segundo ele, quando há violação da dignidade do outro, a conduta ultrapassa o campo da opinião e passa a ser criminosa.

A Polícia Civil segue investigando o caso para identificar os responsáveis pelos comentários racistas e pelas ameaças. Os suspeitos poderão ser chamados para prestar depoimento e responder criminalmente pelas condutas.

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