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Com uso de tornozeleira eletrônica

Alagoano suspeito de liderar esquema bilionário na mineração deixa prisão por decisão de Toffoli

Por Redação 26/12/2025 14h02
Alagoano suspeito de liderar esquema bilionário na mineração deixa prisão por decisão de Toffoli

O empresário alagoano Alan Cavalcante do Nascimento passou a cumprir a pena em liberdade após o ministro do Supremo Tribunal Federal Dias Toffoli substituir a prisão preventiva por medidas cautelares. Ele é apontado como chefe de uma organização criminosa suspeita de atuar em esquemas de corrupção no setor de mineração, que teriam movimentado cerca de R$ 1,5 bilhão. As investigações indicam que Alan teria recebido mais de R$ 225 milhões de empresas envolvidas no esquema entre dezembro de 2019 e dezembro de 2024. Ao justificar a decisão, Toffoli afirmou que as medidas impostas são suficientes para garantir a aplicação da lei penal, a ordem pública e econômica e o andamento do processo. Além de Alan, também tiveram a prisão preventiva substituída o ex-diretor da Polícia Federal Rodrigo de Melo Teixeira, o ex-deputado estadual mineiro João Alberto Paixão Lages e Helder Adriano de Freitas, apontado como um dos articuladores do grupo.

Entre as determinações impostas ao empresário estão o uso de tornozeleira eletrônica, a entrega do passaporte, recolhimento noturno e a proibição de sair do país e do estado onde reside. Toffoli também proibiu Alan de se aproximar, em um raio de 200 metros, de um imóvel localizado em um condomínio onde vive uma magistrada federal que atua em processos relacionados ao caso. A medida foi tomada após a investigação apontar que o empresário adquiriu imóveis em prédios e condomínios onde moravam juízes responsáveis por julgar ações ligadas a ele.

Alan Cavalcante vive em uma mansão de três andares em um condomínio de luxo em Marechal Deodoro, na região metropolitana de Maceió, e é conhecido por promover festas de grande porte, que duram semanas e incluem eventos como pool parties e passeios de catamarã. O Réveillon é uma das comemorações mais tradicionais, reunindo cerca de 500 convidados e shows ao vivo; em 2023, a atração foi o cantor Raí Saia Rodada, cujo cachê pode chegar a R$ 400 mil por apresentação. Até 2010, no entanto, Alan não atuava no setor de mineração. Morador de Arapiraca, no agreste alagoano, ele se dedicava ao motocross, trabalhou como professor de matemática em Teotônio Vilela e também atuou na área de telecomunicações. Em 2023, chamou atenção ao participar de um leilão beneficente promovido pelo jogador Neymar Jr., quando arrematou um blazer e um cordão de diamantes usados pelo atleta por R$ 1,2 milhão, o maior lance do evento.

Após determinação judicial para bloqueio das contas dos investigados, a conta de Alan foi encontrada com apenas R$ 20 mil, valor muito inferior ao montante que ele teria recebido. A Justiça determinou o bloqueio de R$ 1,5 bilhão dos envolvidos, mas apenas cerca de R$ 27 milhões, o equivalente a 1,8% do total, foram localizados. Segundo a investigação, o valor corresponde ao lucro obtido com as práticas criminosas. Ainda assim, a Polícia Federal identificou projetos em andamento ligados ao grupo com potencial econômico superior a R$ 18 bilhões.

De acordo com a PF, a organização teria corrompido servidores públicos de órgãos estaduais e federais de fiscalização ambiental e mineral para obter autorizações e licenças fraudulentas. Esses documentos permitiriam a exploração irregular de minério de ferro em larga escala, inclusive em áreas protegidas e locais tombados, com risco elevado de danos ambientais e sociais. As apurações também apontam que o grupo atuava para dificultar investigações, monitorar autoridades e lavar o dinheiro obtido de forma ilegal.

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