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Alvo de investigações por fraudes no INSS

Investigado por fraudes no INSS, “Careca” comprou prédio de R$ 4 milhões à vista em 2024

Por Redação com agências 10/10/2025 15h03
Investigado por fraudes no INSS, “Careca” comprou prédio de R$ 4 milhões à vista em 2024

Investigado por participação em um esquema de descontos irregulares em aposentadorias, Antonio Carlos Camilo Antunes — conhecido como “Careca do INSS” — comprou à vista, em 2024, um prédio comercial no valor de R$ 4 milhões. O pagamento foi feito via transferência bancária, segundo escrituras e documentos obtidos pela Folha de S.Paulo. A operação contrasta com o histórico financeiro de Antunes: em 2020, ele financiou por dez anos a compra de um lote avaliado em R$ 108,9 mil.

Antunes é apontado pela Polícia Federal e pela CPI do INSS como um dos operadores centrais do esquema de descontos ilegais aplicados em benefícios de aposentados, por meio de entidades como a Ambec (Associação de Aposentados Mutualista para Benefícios Coletivos). A partir de 2023, uma das empresas ligadas a ele passou a receber repasses milionários da associação. Investigações também identificaram movimentações financeiras e aquisições de bens que levantaram suspeitas de lavagem de dinheiro.

Em depoimento à CPI, Antunes negou envolvimento em qualquer irregularidade e afirmou que apenas prestava serviços às associações. Ele se apresentou como “empreendedor nato” e disse que sua prosperidade vem do “trabalho honesto e dedicado”. "Nunca possuí patrimônio oriundo de roubo ou de qualquer prática ilícita", declarou.

Os documentos mostram que, em 2020, Antunes e sua mulher, Tânia Carvalho dos Santos, compraram um lote em Vicente Pires (DF), em processo de regularização fundiária conduzido pela Terracap, estatal de Brasília. O valor final do terreno, com desconto, foi de R$ 81,6 mil. O casal optou por incluir taxas e impostos no financiamento, totalizando R$ 86,7 mil financiados junto ao Banco de Brasília (BRB), com pagamento previsto em 120 parcelas. A dívida, porém, foi quitada antes do prazo, em 2023.

A partir daí, o padrão de compras mudou radicalmente. Em 2023, 2024 e 2025, Antunes e empresas vinculadas a ele adquiriram ao menos seis imóveis no Distrito Federal, todos pagos à vista — alguns via Pix, segundo registros obtidos pela reportagem. Entre os bens estão uma casa no Lago Sul, uma das regiões mais caras da capital, comprada por R$ 3,3 milhões em abril de 2024, e o prédio comercial de R$ 4 milhões adquirido em junho do mesmo ano.

A Polícia Federal também mapeou três transações imobiliárias realizadas em São Paulo em 2024, com valores que somam R$ 7 milhões. No relatório entregue à Justiça, os investigadores afirmam que os negócios “apresentam fortes indícios de lavagem de dinheiro”.

O imóvel comprado em Vicente Pires, onde o casal já morava antes da aquisição, foi declarado indisponível pela Justiça em 2025, após o avanço das investigações. Segundo certidões cartoriais, a propriedade foi oficialmente transferida para Antunes e sua esposa em janeiro de 2024, logo antes do escândalo ganhar repercussão nacional.

Antunes está preso desde 12 de setembro, por ordem do Supremo Tribunal Federal (STF). A Segunda Turma da Corte validou a prisão preventiva, com base na suspeita de que ele estaria tentando atrapalhar as investigações. À CPI, o acusado negou qualquer tentativa de obstrução.

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