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O purgatório de Alcolumbre: bastidores de um novo grande acordo político
Reeleição do senador sinalizando alianças estratégicas para 2026, enquanto Bolsonaro busca caminhos para escapar da inelegibilidade
Davi Alcolumbre (União-AP) reassumiu a presidência do Senado com um discurso conciliador, afirmando que “nenhuma das diferentes correntes políticas é puro anjo ou demônio”. Em Brasília, no entanto, anjos são raros — e os que existem costumam ser irrelevantes no jogo do poder. O que há, de fato, é um complexo tabuleiro onde grupos políticos se alternam entre o purgatório e a salvação.
A reconfiguração do Senado e da Câmara, com as vitórias de Alcolumbre e Hugo Motta (Republicanos-PB), revela que antigos desafetos políticos agora compartilham interesses. O acordo que garantiu o retorno de Alcolumbre retirou do inferno um grupo que havia sido lançado à fogueira da Lava Jato — e que agora colabora com antigos opositores para evitar sua própria ruína.
O Partido Liberal (PL), de Jair Bolsonaro e Valdemar Costa Neto, aprendeu com a derrota de Rogério Marinho (PL-RN) em 2022 e decidiu não se opor ao candidato vencedor desta vez. O objetivo? Evitar o isolamento e garantir influência na próxima disputa pelo controle do Senado, prevista para 2026. A meta final é clara: comandar a Casa para viabilizar o impeachment de um ministro do Supremo Tribunal Federal (STF).
Mas os interesses vão além. Nos bastidores, aliados de Bolsonaro buscam apoio para aprovar um projeto que altera a Lei da Ficha Limpa e anula a inelegibilidade do ex-presidente. Esse plano passa por Alcolumbre e Motta, pontes essenciais para um possível acerto com o Congresso.
O próprio Alcolumbre, apesar de negar a possibilidade de anistia aos interessados no dia 8 de janeiro, já admitiu que o tema pode entrar em debate. A estratégia, porém, não se limita a essa frente. Mesmo que a articulação no Senado tenha avançado, Bolsonaro ainda enfrentou o risco de cláusulas no STF, ao aguardar denúncia por tentativa de golpe de Estado.
Uma eventual sentença criminal determinaria qualquer ambição política do ex-presidente, tornando um novo grande acordo em Brasília. Nesse cenário, Lula poderia jogar sua última carta: manter Bolsonaro vivo politicamente até 2026, garantindo um adversário ideal. Afinal, a maior vantagem do petista hoje é não ser Bolsonaro — e vice-versa.
O destino do ex-presidente ainda está em aberto, mas o enredo lembra episódios do passado: em Brasília, o nunca é eterno — e a salvação costuma vir de onde menos se espera.
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