Blog do Arnóbio

A Tragédia dos Bens Comuns: Lições para o Futuro do Brasil

12/01/2026 11h11

Formulada em 1968 pelo ecologista Garrett Hardin, a Tragédia dos Bens Comuns tornou-se um conceito central da ciência econômica para explicar por que sociedades fracassam na preservação daquilo que é compartilhado. A ideia é direta: quando um recurso pertence a todos, mas não é responsabilidade de ninguém em particular, tende a ser explorado de forma excessiva até o esgotamento.
Hardin partia da premissa de que os indivíduos agem racionalmente para maximizar seus interesses. Essa lógica funciona no âmbito da propriedade privada, mas se mostra destrutiva quando aplicada a bens comuns, como florestas, oceanos ou a atmosfera. A soma de decisões individuais, aparentemente racionais, resulta em prejuízo coletivo.

Ao longo do tempo, economistas propuseram diferentes soluções para esse dilema quando se trata de uma nação em crise: a intervenção do Estado, a privatização ou a gestão comunitária dos recursos. Apesar dessas alternativas, o que se observa na prática é uma crescente dificuldade de cooperação, especialmente diante de desafios globais.

A crise climática, discutida na COP 30 no Brasil, é o exemplo mais evidente. O planeta é um bem comum por excelência, mas governos continuam priorizando ganhos econômicos imediatos, mesmo diante de alertas científicos cada vez mais contundentes. O resultado é o avanço acelerado do aquecimento global, sem respostas políticas à altura.

Durante a pandemia da COVID-19, a Tragédia dos Bens Comuns apareceu no cotidiano. O consumo exagerado e o estoque irracional de produtos essenciais provocaram desabastecimento e ampliaram desigualdades regionais. A lógica individual prevaleceu sobre o interesse coletivo, com consequências sociais claras.

Esse raciocínio pode ser estendido à política. A democracia também é um bem comum: depende de confiança nas instituições, respeito às regras e compromisso com o diálogo. Quando líderes populistas atacam a ciência, deslegitimam eleições e incentivam a polarização, corroem esse patrimônio coletivo em benefício próprio.

No Brasil, esse processo se manifesta na polarização extrema, no desprezo pelo conhecimento científico e na recusa sistemática ao diálogo. A política passa a funcionar como um jogo de soma zero, no qual a derrota do outro importa mais do que a preservação do espaço comum.
Sem cooperação e responsabilidade coletiva, a tragédia deixa de ser apenas um conceito econômico e se transforma em realidade política. Em 2016, o desafio do país é interromper esse processo antes que os danos se tornem irreversíveis.