Alagoas

SERVIÇOS

Cerca de 200 mil pessoas podem ficar sem internet em Maceió por remoção de postes; Equatorial contesta

Alerta é da Associação dos Provedores do Estado de Alagoas

Por Redação com assessoria 09/09/2022 15h03 - Atualizado em 09/09/2022 18h06
Cerca de 200 mil pessoas podem ficar sem internet em Maceió por remoção de postes; Equatorial contesta

Dados fornecidos pela Associação dos Provedores do Estado de Alagoas (Aspeal), apontam que em Alagoas cerca de 70% do mercado de internet é abastecido pelos pequenos provedores ou chamada “Internet de bairro”. Em nível de Brasil, as operadoras de internet menores lideram a participação de mercado em 3.509 cidades brasileiras.

Esse mercado já mobiliza na economia alagoana cerca de mil empresários com mais de 20 mil funcionários e estão presentes em todos os municípios. Só em Maceió, são cerca de 500 empresários que levam a internet para as grotas, periferia, cujo “bolo” do mercado já representa aproximadamente 2 milhões de usuários.

No Estado, a grande maioria dos pequenos provedores atua com fibra óptica, fornecendo serviços como telefonia fixa, móvel e TV por assinatura, com entrega de maior velocidade de internet a um valor mais atraente que as gigantes do setor, com preço competitivo entre R$ 50 e 60, 00 em média, enquanto as maiores cobram entre R$ 100 e 150,00, com qualidade inferior.

Ângelo Rosa, presidente da Aspel, quer diálogo com a Equatorial para evitar prejuízos


Mas ao mesmo tempo que celebram os dados positivos no mercado de internet, há um imbróglio em meio aos benefícios que as pequenas provedoras estão ofertando a milhares de alagoanos. A Equatorial Energia (proprietária dos postes utilizados com cabos e fiações) e suas terceirizadas estaria removendo postes, cortando a fiação – sem comunicar aos provedores - o que têm causado transtornos e prejuízos financeiros de grande monta. A concessionária nega a informação. Veja nota na íntegra no final da matéria.

“Com este transtorno, prejuízos com estas manutenções e retiradas de postes, queremos abrir um diálogo com a Equatorial, porque se isso continuar ocorrendo sem comunicação, quase 200 mil pessoas podem ficar sem internet em Maceió, o que já está ocorrendo em algumas localidades na capital, principalmente na periferia. A Equatorial está removendo postes sem critérios e prejudicando os clientes por conta dessas trocas de postes, sem prévia comunicação”, alerta o presidente da Aspeal, Ângelo Rosa.

Para ratificar o que diz o presidente da Aspeal, só esta semana, bairros como Trapiche, especificamente na Vila dos Pescadores; no Jacintinho - na Grota do Cigano, Grota do Arroz -, e até bairros de classe média, como Gruta de Lourdes, tiveram clientes prejudicados com a falta de internet por conta desses cortes e remoções de postes da banda larga e fibra óptica usadas nas conexões pertencentes aos pequenos provedores.

Material de fibra óptica danificado pela concessionária de energia e que tem gerado prejuízos financeiros a provedores e aos clientes na capital alagoana


“Na Vila dos Pescadores, vários clientes, cerca de 900 pessoas, ficaram sem internet por três dias por conta da troca de postes e com um problema: sem comunicação prévia”, ratifica Ângelo. “É preciso lembrar à Equatorial que é fundamental avisar, porque não é só falta de internet, mas isso também prejudica os negócios da comunidade, pois há comerciantes que dependem de internet para dar fluxo a seus negócios”, ressalta o presidente da Aspeal.

Proprietário de um pequeno provedor de internet que alimenta bairros como Jacintinho, Poço, Vale do Reginaldo, Henrique Marques teve a conexão de seus clientes prejudicada com poste danificado, fiação de fibra óptica jogada ao chão, gerando um prejuízo de cerca de R$ 100 mil. "Da forma como eles estão realizando esses serviços, estão prejudicando muitos assinantes, deixando sem conexão, devido à forma como executam os trabalhos, sem nenhuma notificação prévia”, queixa-se Henrique.

“A Equatorial vem fazendo essas operações com as empresas terceirizadas e não está havendo diálogo para comunicar os provedores com antecedência. Por tabela, esse procedimento vem danificando todo material de fibra óptica dos provedores, o que gera um custo altíssimo. Queremos abrir o diálogo com a Equatorial, a quem consideramos parceira, para evitar esses danos”, completa Ângelo Rosa.

E os clientes?


Esta semana, os pequenos provedores e clientes da Gruta de Lourdes, bairro de classe média da capital, tiveram a informação de que haverá remoção de postes por parte da Equatorial, como aconteceu na Vila dos Pescadores e no Jacintinho, e já estão assustados com o risco iminente de prejuízos com a falta de conexão na internet.
Esse é o caso da dona de casa Ana Paula Bezerra. 

Mãe Ana Paula Bezerra e o filho autista que temem corte no fornecimento de internet

Preocupada com a comunicação que recebeu do provedor de sua internet por causa da possibilidade da falta de conexão em sua residência em função das remoções de postes da Equatorial na rua em que mora, Ana Paula teme a ameaça, porque o filho Manoel Rodrigues de Brito, 6 anos, sofre do Transtorno do Espectro do Autismo (TEA) cujo grau de dependência e necessidade de suporte é a forma mais severa.

Ana afirma que Manoel depende muito da internet para o desenvolvimento dele. “Ele tem muita dificuldade de ficar em casa sem internet. Faz terapia e estuda, mas em casa, quando falta internet, ele não entende e descompensa. Meu filho fica muito agitado quando falta a internet de vez em quando ou dez minutinhos que seja. Imagine se ficarmos por um tempo maior, como nos comunicaram”, alerta a dona de casa Ana Paula.

“É preocupante isso e faço até um apelo para a Equatorial reveja essa posição e olhe para nós mães, porque a internet de dados móveis (celular) é insuficiente para uma criança como a minha”, completa a mãe de Manoel.

Alvany Pimentel, mãe de Luiz Gustavo, 13 anos, usam internet o dia todo na residência

Não muito distante da casa de Ana Paula, na mesma rua, na Gruta de Lourdes, outra mãe de filho autista, esse com o grau mais leve, também demonstra preocupação diante da possibilidade do corte de internet por causa da remoção dos postes da Equatorial no bairro. Ela é Alvany Pimentel, mãe de Luiz Gustavo Pimentel, 13 anos.
“Meu serviço é bom. Temos tv, google, praticamente vivemos com internet o dia todo, porque são muitas atividades. Além disso, meu filho também faz terapia via internet”, conta Alvany.


Pagando R$ 60 por mês, ela diz estar bem servida pelo serviço de internet de bairro que usa, mas também tem receio de ficar sem internet por muito tempo. “A casa com certeza vai virar o caos. Ou melhor, nossa vida vai virar o caos, porque meu filho é hiperativo. Não dá para usar internet de dados móveis (celular) porque não daria conta”, completa a usuária.

A mãe de Luiz revela outra atividade que depende da internet em sua residência. “Sou professora e dou aulas online com chamadas de vídeo e só com dados móveis não segura. Tem que ter essa internet com fibra óptica”, ressalta a professora.

Thawanna Karine Félix é uma pequena empreendedora que começou aos 15 de idade. Hoje, aos 31, mantém seu negócio há dois anos ofertando diariamente café da manhã, almoço e lanches diversos no food truck montado na Praça da Faculdade, no bairro do Prado, cuja estrutura sobre rodas lhe permite fornecer alimentos de maneira itinerante aos clientes.

Thawanna Karine, empreendedora que depende de internet de pequenos provedores para tocar seu negócio

Preocupada com a possibilidade de sofrer um impacto no seu negócio com a ameaça da desconexão por causa da ameaça de o serviço de internet parar, em função dos reparos nos postes sem comunicação prévia da concessionária de energia de Alagoas, Thawanna revela sua preocupação.
“A internet de bairro é mais viável, porque a assistência é quase imediata. Minha internet não cai e nem me deixa na mão, mas já fico preocupada se isso vier a acontecer”, ressalta a empreendedora.

Ela tem quatro funcionários e dois diaristas e a internet é primordial para seu negócio, porque atende suas necessidades e, principalmente, dos clientes, que sempre fazem uso do wi-fi e de outros serviços, como pix, por exemplo. Pagando apenas R$ 40, 00 de internet de bairro, afirma que sua internet lhe atende com alta velocidade.

“Uma empresa grande é tudo mais burocrático, demora para atender. Se fosse uma grande, eu pagaria o dobro ou mais de cem reais”, completa a empreendedora.

Em resposta às denúncias, a Equatorial Alagoas enviou nota para o site Em Tempo Notícias:

Nota de esclarecimento:

Em resposta à matéria veiculada, a Equatorial Alagoas esclarece que no início do mês de junho, a Distribuidora promoveu um Workshop com as empresas de telecomunicações, que atuam em Maceió para orientar sobre o processo de reordenamento de cabos, bem como as normas técnicas e políticas de segurança que devem ser seguidas e o cronograma das ações nas localidades que já foram mapeadas pela empresa.

Desta forma, a Equatorial reforça que os provedores de internet, tv a cabo e telefonia são notificados com antecedência sobre a realização das operações que estão sendo conduzidas pela Equatorial Alagoas, com prazo estipulado para realizarem as adequações junto a Distribuidora. Apenas em caso de não regularização por parte dos responsáveis, há a retirada das redes.

Esta concessionária ressalta ainda, que está aberta para diálogo com a Associação dos Provedores do Estado de Alagoas (Aspeal) para debater melhorias que venham trazer benefícios para a população.

Assessoria de Imprensa da Equatorial Alagoas

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